Luana Schräder
“Se não temos como voltar atrás, podemos escolher outro caminho.” – Virginie Grimaldi (Tempo de reacender estrelas)
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Há alguns dias, por culpa de um livro, eu estava pensando nos planos que eu fazia para o futuro. Os planos que estou vivendo ou que já vivi, e me peguei questionando a minha própria ânsia de chegar logo naquele ponto da vida que ainda estou planejando.
Confesso que me senti um pouco ridícula por estar sempre pensando no depois e esquecendo de apreciar o que tenho agora.
Saindo do meu hiperfoco em Rosa Montero, dei uma pausa nos insights trazidos pela autora espanhola e agora estou em um book affair com autora francesa, Virginie Grimaldi. Ainda vou vir falar muito sobre ambas as autoras e suas obras, mas lendo “Tempo de reacender estrelas”, fui nocauteada por um conselho da avó de Anna – uma das protagonistas. E foi assim que surgiu os insights que me trouxeram a esse texto.
A avó da personagem a aconselhou a seguir o seu coração, ao menos uma vez seguir o seu instinto e proceder com os seus desejos de mudança. Anna, insegura, encontrou diversos empecilhos para não seguir os seus sonhos. E a avó, sábia, a questionou o que a impedia.
Esse diálogo já havia sacudido algo dentro de mim, mas foi quando a avó disse: “Passa rápido, sabe?”, que senti ruir tudo aqui dentro e precisei pausar a leitura para refletir.
Quantas vezes perdi uma oportunidade por estar aguardando as condições ideais. Foram tantos momentos que não apreciei por pensar que no futuro teria algo melhor. Pessoas que ficaram para trás pois coloquei o futuro na frente dos meus sentimentos.
Passa rápido.
“Passa rápido, Naná.”
Ironicamente, o meu avô também me chamava de Naná. Foi como se de alguma forma, ele estivesse me enviando um recado de onde quer que ele esteja.
A vida passa rápido.
Planejamos tanto “o amanhã”, mas e “o hoje”? Aguardamos as condições ideais. Mas elas existem?
O dia depois de amanhã pode não existir, tudo pode evaporar no próximo segundo. A vida é um conta gotas e não sabemos até quando seguirá pingando. Nós não temos certeza de nada nessa vida, apenas do exato segundo que estamos vivendo.
Não é que eu acredite que não devemos planejar o futuro, pelo contrário. Eu sou obcecada por controle, uma sonhadora inveterada, tento planejar cada segundo; e mesmo levando rasteiras da vida e ela constantemente me (re)lembrando de que não tenho o controle, ainda me traio e me perco em planilhas e uma ditadura pessoal que me rouba segundos do “agora”.
Eu vivo no futuro e muitas vezes deixo de viver o que tenho para o momento.
Ufa! É doloroso perceber esse padrão tão cruel que temos a mania de aplicar em nossas vidas, né?
Ironicamente, uma frase inocente em um romance, me sacudiu e fez com que eu pare e reflita.
Sigo em reflexão, tentando organizar a bagunça que transformei o “presente” em detrimento do “futuro”.
A vida só nos pede uma coisa: confie e viva. Viva como se fosse o seu último segundo. Viva como se o futuro não fosse existir. Viva por você e seus sonhos.
Isso não significa que vou pular de um penhasco sem me preocupar com as falésias, mas que eu vou olhar nos olhos do “agora” e colocar o “depois” no mudo.
Afinal, “passa rápido” e a qualquer momento o líquido do conta gotas pode evaporar. Ou seja, se eu puder te dar um conselho, que ele ecoe as palavras da avó de Anna: “A vida passa rápido. Siga o seu coração. Ao menos uma vez.”
Escolha um novo caminho, mude a perspectiva, mas viva. Os ponteiros do relógio não voltam atrás, seguem sempre em frente.